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Projeto Arquitetônico Residencial: O Que Deve Conter

5 min de leitura

Fachada de sobrado projetada pela Arquiteto Agora, ilustrando artigo sobre projeto arquitetônico residencial

Um projeto arquitetônico residencial reúne plantas, cortes, fachadas e detalhamentos que orientam a construção de uma casa, da marcação do terreno até o acabamento. Ele define onde fica cada parede, qual a altura do pé direito, por onde entra a luz e como as pessoas circulam dentro do imóvel. Sem esse conjunto de desenhos, a obra passa a ser decidida no improviso, com o pedreiro resolvendo no dia o que deveria ter sido resolvido meses antes.

A diferença entre um bom projeto e um desenho bonito aparece quando o alicerce já está pronto. Aí não dá mais para mudar.

O que separa um projeto residencial completo de uma planta bonita

Muita gente avalia um projeto pela imagem em 3D. A imagem ajuda a visualizar, mas não é o que faz a casa funcionar. O que faz diferença são decisões que raramente aparecem no render.

Orientação solar. Um quarto voltado para o poente recebe sol das 14h às 18h e chega ao fim do dia com a parede quente. Se esse quarto for o do casal, a chance de o ar condicionado virar despesa fixa é alta. Um projeto bem resolvido coloca os dormitórios na face leste sempre que o terreno permite, e joga área de serviço, garagem e circulação para o lado oeste, que funcionam como barreira térmica.

Circulação. Um corredor de 90 cm passa, mas duas pessoas não se cruzam nele. Com 1,10 m o desconforto desaparece. A porta do quarto costuma ter 80 cm, a do banheiro 70 cm, a de entrada 90 cm. Quando o projeto aperta esses números para ganhar área nos ambientes, quem paga a conta é o dia a dia.

Ventilação e iluminação natural. O código de obras da maioria das cidades exige que a área de janela seja uma fração da área do piso, geralmente um sexto. Cumprir o mínimo legal não é o mesmo que projetar bem. Uma janela alta e estreita ilumina menos que uma baixa e larga de mesma área, porque a luz entra rasante e alcança menos profundidade do cômodo.

As peças que compõem um projeto arquitetônico residencial

Quando alguém fala em contratar um projeto, o pacote entregue varia bastante de escritório para escritório. Um projeto residencial razoavelmente completo costuma ter:

  • Planta de situação e implantação: mostra o terreno dentro da quadra, os recuos obrigatórios e a posição da casa em relação às divisas.
  • Planta baixa de cada pavimento: com cotas, nomes dos ambientes, áreas e indicação de portas e janelas.
  • Planta de cobertura: caimentos, calhas e pontos de descida de água.
  • Cortes: pelo menos dois, sendo um obrigatoriamente pela escada ou pelo banheiro, que são os pontos onde mais aparecem conflitos de altura.
  • Fachadas: frontal e as demais que forem visíveis.
  • Quadro de áreas: área construída por pavimento, taxa de ocupação e coeficiente de aproveitamento.

Os detalhamentos vêm depois e dependem do que você contratou. Vale conferir a lista completa em o que está incluso em um projeto arquitetônico antes de comparar propostas, porque dois orçamentos com valores parecidos podem entregar coisas bem diferentes.

Decisões que precisam estar resolvidas antes da primeira parede

Existe um grupo de definições que, se ficarem para depois, viram quebra-quebra. Vale conferir uma por uma no projeto.

Altura do peitoril das janelas. Parece detalhe, mas define até onde a bancada pode ir. Uma cozinha com peitoril a 90 cm e bancada a 90 cm cria um encontro sem acabamento, com a janela abrindo em cima da pia. Subir o peitoril para 1,10 m resolve.

Posição das prumadas hidráulicas. Banheiro do térreo e do pavimento superior alinhados economizam tubulação e evitam que a descida do esgoto apareça no meio da sala. Quando não dá para alinhar, o projeto precisa mostrar por onde a prumada desce.

Dimensionamento da escada. A conta que os arquitetos usam soma dois espelhos mais um piso e busca algo entre 63 cm e 65 cm. Um degrau com espelho de 18 cm e piso de 28 cm cai dentro dessa faixa e sobe confortável. Escada improvisada na obra costuma sair com espelho de 20 cm, que cansa, ou com piso de 25 cm, que não cabe o pé.

Vaga de garagem. Uma vaga de carro pede 2,50 m por 5,00 m livres. Se a coluna estrutural avançar 20 cm para dentro desse retângulo, a porta do motorista bate. Esse tipo de conflito aparece no projeto e some na improvisação.

O terreno manda mais do que o gosto do cliente

Antes de desenhar qualquer parede, o arquiteto lê o terreno. Essa leitura define boa parte do que vai ser possível fazer, e é comum o cliente chegar com uma planta de revista que simplesmente não cabe no lote que ele comprou.

Os recuos são o primeiro limite. A maioria das cidades exige afastamento frontal de 3 m a 5 m e afastamentos laterais que variam conforme a altura da construção. Num lote de 10 m de frente com recuo lateral obrigatório de 1,50 m dos dois lados, sobram 7 m de largura construível. Uma sala de 5 m com corredor de 1,10 m e parede já preenche quase tudo.

A declividade é o segundo. Terreno em aclive, mais alto que a rua, costuma exigir muro de arrimo e garagem na cota baixa. Terreno em declive permite aproveitar um subsolo, mas encarece fundação. Uma diferença de 1,50 m entre a frente e o fundo do lote já muda completamente a solução.

Vem depois a taxa de ocupação, que limita quanto do terreno pode ser coberto, e a taxa de permeabilidade, que obriga deixar parte do solo sem impermeabilizar. Num lote de 250 m² com ocupação máxima de 60 por cento, a projeção da casa não pode passar de 150 m², mesmo que você queira construir mais.

Como avaliar o projeto antes de aprovar

Você não precisa saber desenhar para conferir se o projeto está de pé. Precisa saber o que perguntar.

  • Abra a planta e percorra mentalmente um dia inteiro na casa, da hora de acordar até guardar o carro. Onde a rota ficar estranha, existe um problema de layout.
  • Confira se todas as portas abrem sem bater em móvel, interruptor ou outra porta.
  • Veja se a área de serviço tem ponto para tanque, máquina e varal sem atravessar a cozinha carregando roupa molhada.
  • Pergunte quais projetos complementares ainda serão necessários, como elétrico, hidráulico e estrutural.
  • Confirme quantas revisões estão inclusas antes do detalhamento começar.

Esse tipo de leitura leva uma tarde e evita meses de dor de cabeça. Boa parte dos problemas listados em erros comuns ao reformar sem arquiteto nasce exatamente aí, de decisões que ninguém conferiu no papel.

No Arquiteto Agora o projeto residencial é desenvolvido inteiramente a distância, com reunião por videochamada e revisões acordadas antes do detalhamento. Se você quer entender quanto tempo leva cada fase, o passo a passo está em quanto tempo demora um projeto de arquitetura.

Perguntas frequentes

Projeto arquitetônico residencial é a mesma coisa que planta baixa?

Não. A planta baixa é uma das peças do projeto, aquela que mostra o corte horizontal da casa vista de cima. O projeto arquitetônico residencial inclui também cortes, fachadas, planta de cobertura, implantação e o quadro de áreas.

Preciso de projeto arquitetônico para reformar uma casa que já existe?

Se a reforma mexe em parede, abertura de janela ou ampliação de área, sim. O projeto registra o que existe hoje e o que vai mudar, o que evita derrubar uma parede estrutural por engano e serve de base para orçar a obra.

O projeto residencial já serve para aprovar na prefeitura?

Depende do que foi contratado. O projeto legal é a versão preparada para a aprovação, com as exigências da sua cidade. Confirme com o arquiteto se essa etapa está inclusa ou se será cobrada separadamente.

Conclusão

Um projeto arquitetônico residencial bem resolvido não é o que tem a imagem mais bonita, é o que responde de antemão as perguntas que a obra vai fazer. Orientação solar, circulação, alturas e posição de prumadas são decisões baratas no papel e caras no concreto. Fale com um arquiteto do Arquiteto Agora e receba uma proposta para o seu projeto.